A dança das classes sociais
Edição:
2
2017

        

Pragmatismo ou ideologia?

Nesta edição, pela primeira vez, a Revista da ESPM reúne representantes das várias correntes de pensamento que discutem a estrutura socioeconômica da sociedade brasileira. Como o leitor verá nas páginas que se seguem, o assunto tem um viés ideológico e vai desde os que defendem a nova classe média, identificada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) há quase cinco anos, até os que enfatizam os novos pobres, de que fala um estudo recente do Banco Mundial. No fundo, trata-se do mesmo viés ideológico que nos faz chamar as favelas de comunidades. Quanto às empresas, elas se mantêm mais pragmáticas e preferem seguir os velhos critérios que levam em conta vários fatores, e não apenas a renda mensal da família, para dizer quem está na classe média.

O que temos de concreto é a constatação de que muitas famílias que o IBGE dizia terem ascendido à classe média já não se comportam como tal e deixaram de comprar bens e serviços que haviam começado a consumir, ou usufruir, a partir de 2009. Os números adquirem um tom dramático. Por exemplo, a produção de veículos automotores caiu 50% em relação ao pico de 2013/2014. As vendas de aparelhos domésticos eletroeletrônicos caíram 30% na mesma comparação. E milhões de famílias deixaram de possuir seguro-saúde, que é um bem essencial. Em nossa opinião, a perda aparente da capacidade de consumo das famílias (que assumiu proporções monumentais) só se explica pela exacerbação do consumo no período de 2010/2014, provocada por estímulos artificiais ao crédito para o consumidor. De certa forma, criou-se uma “bolha” que um dia teria de estourar, como de fato aconteceu. E, se aceitarmos essa tese, teremos de concordar que a capacidade real de consumo das famílias jamais atingiu o nível registrado em 2013/2014.

Ainda é cedo para fazermos projeções, pois isso dependerá da retomada da economia de que muitos falam e poucos enxergam. O Brasil vive um período conturbado por uma crise econômica sem precedentes e também pela desordem política, cujo fim ninguém consegue prever. De concreto, podemos afirmar que continuará a crescer o número de desempregados e de novos pobres que voltam para as classes D e E. É preciso muita prudência nas previsões de vendas, para evitar os excessos já praticados por muitas empresas nos anos de bonança que pareciam intermináveis.

Em outras palavras, estamos no olho do furacão, e as estruturas socioeconômicas deverão sofrer muitas mudanças nos próximos anos. Apesar do otimismo de vários especialistas ilustres, o clima nas empresas ainda é de prudência e cautela. Se tudo der certo, levaremos pelo menos cinco anos para retornar aos níveis de 2013/2014.

Francisco Gracioso
Presidente do Conselho Editorial

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